APRESENTAÇÃO DO CURSO

O cenário atual requer criatividade e mobilização na construção do conhecimento. A Escola  As Pensadoras é convocada a contribuir com a atual situação educacional, política e social que vive o Brasil, em especial na ampliação e consolidação dos estudos em filosofia feminista. Tendo em vista os desafios que se apresentam a todos nós, e a necessidade de reinvenção e criatividade educativa apresenta essa proposta de Aperfeiçoamento na modalidade à distância com o objetivo de discutir as questões contemporânea e atuais das humanidades a partir dos da teoria feminista.

Não obstante os avanços, os processos de desigualdades seguem firmes, com especificidades regionais que merecem atenção. Na representação política e da academia, as mulheres estão em grande desvantagem, o que tem implicado uma série de dificuldades/limitações na construção da área de ciências humanas de forma democrática, em especial na filosofia. Em especial notamos que estas limitações e dificuldades também acompanham o desconhecimento de teorias e estudos feministas mais recentes que têm colocado em nova perspectiva problemas filosóficos, epistêmicos, metodológicos e estéticos. O feminismo de uma forma geral permanece desconhecido e, assim sendo, alvo de incompreensão, críticas e ataques infundados, a exemplo do argumento que faz dele o outro lado do machismo, isto é, um projeto análogo de hierarquia, apenas uma troca de sinais na dominação de gênero e redução aos problemas de identidade. Nesse sentido, conhecer os diferentes feminismos e seu potencial crítico possibilita a renovação da ciência, da cultura, práticas sociais e econômicas, sempre no sentido da inclusão social e da equidade. Um dos exemplos é a contribuição do feminismo interseccional e decolonial na consideração de que os problemas de gênero afetam principalmente etnias e raças excluídas de nossa sociedade.

No primeiro capítulo “Razões para fazer uma filosofia feminista em um mundo de filosofias e tecnologias masculinas”, do livro Filosofia Feminista: uma brevíssima introdução, Ivone Gebara expõe que a afirmação das coisas como verdades absolutas apesar de serem capazes de criar um estado de segurança para os indivíduos, também pode limitar e excluir o desenvolvimento de novas formas de pensar e agir. Como a autora afirma: “A filosofia feminista não nega essa necessidade humana, mas afirma a urgência do desenvolvimento de outras formas de pensar e agir menos excludentes e idealistas, que permitam que se desenvolva uma solidariedade maior entre nós” (p.16). Em vista disso, entendemos que desenvolver novas formas de pensar, mais inclusivas e flexíveis, torna-se, então, uma necessidade para substituir antigos conceitos dogmáticos e fundamentalistas. E, também construir novas narrativas situadas, não somente em cosmogonias ocidentais, mas também andinas, ameríndias e africanas, que compõem nossa ontologia. 

Refletindo sobre a necessidade do desenvolvimento de uma filosofia feminista, Gebara explica sobre a subordinação que se impõe à mulher em relação ao homem, e como essa subordinação torna-se elemento essencial impeditivo da formação da dignidade feminina: “Nossa dignidade de mulheres aparece subordinada à masculinidade. Os nossos senhores sempre foram defensores de uma pretendida honra. Nós tínhamos que ser virgens para não os desonrar; tínhamos que negar o prazer dos nossos corpos para sermos dignas da maternidade; tínhamos que ser puras para eles e para o seu Deus patriarcal” (Gebara, p.34).

Esta proposta de curso proporciona a ampliação da abordagem tradicional filosófica para uma abordagem mais inclusiva e crítica da filosofia feminista a respeito de diferentes temas, contribuindo não somente para o avanço científico, como também para o entendimento da complexidade presente na problematização das desigualdades e à busca de melhores meios de combatê-las. Apesar da pertinência e grande interesse atual nos estudos feministas, ainda notamos o forte preconceito, resultado do desconhecimento da abrangência dos estudos feministas tanto nas instituições de ensino e pesquisa como na sociedade em geral.

Mais informações

* As aulas ficam disponíveis nas salas de aula virtuais por 12 meses;

* Não é necessária formação prévia em Filosofia.

Investimento Total

Estudante Graduação:
R$ 600,00*(Matrícula + 9X),

Estudante Pós Graduação:
R$ 1.020,00*(Matrícula + 9X),

Profissional:
R$ 1.320,00*(Matrícula + 9X).

*Pagamento via cartão é de forma recorrente, ou seja, não utiliza limite do cartão e para a aprovação do seu cartão de crédito, o sistema considera o valor da parcela dentro do seu limite mensal, não o valor total.

VEM COM A GENTE, AGENDE-SE.

 

Módulos

Docente

Datas

Aula Inaugural - As Filósofas que nos formam

Profa. Msc. Mayra Jocelin Martinez Martinez (UANL/México) e Dra. Ligia Pavan Baptista (UnB)

Março

(2)

1) Decolonialidade e Feminismo

O objetivo do módulo será fazer uma apresentação dos conceitos e temas centrais que guiam o feminismo decolonial.

Dra. Susana de Castro (UFRJ)

Março

(5,6,12,13,19 e 20)

2) Histórias e Feminismos

O objetivo é focarmos nas microrrelações epistemológicas e políticas envolvidas nas elaborações de mulher em diferentes sistemas de racionalidade, em especial o matriarcal / ocidental / norte-global e daí podermos refletir também sobre as insurgências femininas e feministas dentro deles.

Dra. Viviane Botton (UERJ)

Abril

(9,10,16,17, 23 e 24)

3) Filosofia Feminista e Contemporaneidade

O objetivo geral é o de investigar algumas das principais influências da Filosofia para a teoria feminista e suas ramificações contemporânea: abarcando a crítica acerca da natureza humana feminina, da moralidade e da política; visando a libertação da mulher.

Ms. Beatrís Seus (UFPel)

Maio

(7,8,14,15,21 e 22)

4) Capitalismo, Neoliberalismo e Mulheres

O objetivo será rediscutir o capitalismo a partir de suas mudanças epistêmicas. Perspectivas para um capitalismo pós-racista e pós-sexista. Redistribuição e Reconhecimento.

Dra Loiane Verbicaro (UFPA) e Ms. Anna Laura Maneschy (UFPA)

Junho

(4,5,11,12,18 e 19)

Recesso

Recesso

Julho

5) Filosofia, Justiça e Feminismos

O objetivo dessa disciplina é estudar as teorias filosóficas feministas que contribuem diretamente para a formulação de teorias da justiça, para uma sociedade mais justa no contexto brasileiro e latino-americano. Toma-se como ponto de partida as diferentes críticas às filosofias do sujeito, que emergem no século XX, o debate sobre como as teorias feministas são bases filosóficas na reivindicação do direito das minorias, com uma discussão especial a partir das críticas pós-coloniais e descoloniais.

Dra. Maria Walkíria Cabral (UFRJ)

Agosto

(6,7,13,14, 20 e 21)

6) Metodologias Feministas

O objetivo é investigar, por meio de textos filosóficos e literários, de que forma o modo de produção capitalista se apropria, roduz e reproduz diversos tipos de opressões como explorações de classe, raça e gênero. Buscaremos relacionar estas várias opressões, a partir do estudo de teorias de feministas como Silvia Federici e Saffioti, bem como por meio da análise do pensamento e perspectiva de escritoras negras como Angela Davis, Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, Djamila Ribeiro e Sueli Carneiro. O estudo do tema no contexto brasileiro também estará presente, por intermédio da análise do pensamento de Saffioti e Sueli Carneiro, por exemplo.

Dra Maria Cristina Longo (UFRN)

Setembro

(3,4,10,11,17 e 18)

7) Democracia e Feminismos

Compreender, a partir do pensamento feminista negro, as formas de organizações políticas desenvolvidas com o propósito de reivindicar melhores condições de vida da população negra, no Brasil e nos Estados Unidos. Discute-se, portanto, a espoliação política, econômica e social dessa população no capitalismo, além das condições de possibilidade de ascensão social da/o afrodescendente. Trataremos também das representações da mulher negra na cultura e na arte no Brasil. E, por fim, discorreremos sobre o feminino na cultura yorubá a fim de elaborar uma contraposição com a cultura ocidental.

Dra Alice de Carvalho Lino Lecci (UFR-MT)

Outubro

(1,2,8,9,15 e 16)

8) Pensadoras afro-diaspóricas

O objetivo é evidenciar trajetórias, pensamento e obras que ampliem o “olhar” de estudantes de graduação e pós-graduação em diferentes áreas de formação acadêmica. Da mesma forma, se insere como proposta afetiva, teórica e política de oposição ao racismo, epistemicídio e sexismo.

Dra Vera Rodrigues (UNILAB)

Novembro

(5,6,12,13,19 e 20)


Monitora: Ana Rossetti 

MINISTRANTE

Alice de Carvalho Lino Lecci

Professora

Professora Adjunta no Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Rondonópolis-MT; Doutora em Estética Contemporânea pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade de São Paulo, Mestre em Estética e Filosofia da Arte pelo Instituto de Filosofia, Arte e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto, Bacharel e Licenciada em Filosofia pela Universidade Federal de Ouro Preto. É associada à International Association for Aesthetics e editora adjunta da Revista Artefilosofia (UFOP). Áreas de interesse: Estéticas afro-brasileiras e ameríndias; Feminismo negro; Estética Kantiana.

Beatrís Seus

Professora

É formada em Filosofia - Licenciatura pela Universidade Federal de Pelotas (2016), sendo também Mestre em Filosofia Moral e Polítca, no qual foi bolsista CAPES, na mesma instituição (2017). Atualmente cursa Doutorado na UFPel, defendendo a Tese intitulada "Simone de Beauvoir e a superação do Niilismo: Fundamentação de um Princípio Moral Universalizável". Seus estudos concentram-se na Filosofia Moderna e Contemporânea, com ênfase em Ética, Ontologia, Fenomenologia e Existencialismo; estendendo-se à pesquisa sobre a filosofia kantiana, schopenhaueriana e nietzschiana. Professora Formadora junto ao Curso de Licenciatura em Filosofia a Distância da UFPel no âmbito da Universidade Aberta do Brasil (UAB), e Professora de Filosofia e Sociologia no centro educacional presencial e EaD Uni Colégio. Autora da obra "Simone de Beauvoir e a libertação da mulher: do existencialismo sartriano à moral da ambiguidade", fruto de sua dissertação de mestrado.

Loiane Prado Verbicaro

Professora

Professora da Faculdade de Filosofia, do Programa de Pós-Graduação em Filosofia e do Programa de Pós-graduação (PPGFIL) em Direito e Desenvolvimento da Amazônia (PPGDDA) da Universidade Federal do Pará. Líder do Grupo de Pesquisa (CNPq): Filosofia Prática: Investigações em Política, Ética e Direito. Doutora em Filosofia do Direito pela Universidade de Salamanca. Mestra em Direitos Fundamentais e Relações Sociais pela Universidade Federal do Pará. Mestra em Ciência Política pela Universidade Federal do Pará. Graduada em Direito pela Universidade Federal do Pará. Graduada em Filosofia (Bacharelado) pela Universidade Federal do Pará.

Maria Cristina Longo

Professora

Possui graduação em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e graduação em Filosofia também pela Universidade de São Paulo (USP), é mestre em Filosofia pela (USP) e é doutora em filosofia, nesta mesma instituição, tendo cursado 11 meses de seu doutorado na universidade de St Andrews, sob a orientação de John Skorupski. É docente do departamento de filosofia da UFRN. Faz parte do núcleo de apoio do GT de filosofia e gênero da Anpof. É coordenadora do grupo de ética e filosofia política do departamento de filosofia da UFRN. Possui pós-doutorado sob supervisão de Vladimir Safatle, na USP.Tem experiência na área de filosofia, com ênfase em Ética e Filosofia Política, atuando principalmente nos seguintes temas: utilitarismo, marxismo, feminismo, ética, política, Angela Davis, Silvia Federici, Bentham, John Stuart Mill e Marx.

Maria Walkíria Cabral

Professora

Doutora e Mestra em Direito Público (PUC Minas). Especialista em Estudos Diplomáticos (CEDIN/Brasil). Graduada em Direito e em Filosofia (PUC Minas). Atualmente é professora adjunta do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR/UFRJ), coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Gênero, Espaço e Políticas Públicas (NUGEPP/UFRJ) e pesquisadora do Laboratório Filosofias do Tempo do Agora (UFRJ).

Susana de Castro

Professora

É Professora associada do departamento de Filosofia da UFRJ e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFRJ. Coordenadora do Laboratório Antígona de Filosofia e Gênero. Autora dos livros Filosofia e Gênero (7Letras, 2014) e As mulheres das tragédias gregas: poderosas? (Manole, 2011), e do capítulo ?Condescendência: estratégia pater-colonial de poder? (In: Hollanda, Heloisa Buarque, org. Pensamento feminista Hoje: Perspectivas decoloniais, Bazar, 2020), entre outros.

Vera Rodrigues

Professora

Professora adjunta no Instituto de Humanidades da UNILAB- Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira. Professora efetiva no Programa de Mestrado em Antropologia UFC-UNILAB. Coordenadora da Linha de Pesquisa "Identidades e Políticas Públicas" do Grupo de pesquisa Oritá - Espaços, Identidades e Memórias. Membro do Comitê de antropólogos(as) negros(as) da ABA - Associação Brasileira de Antropologia. Coordenadora do Centro de Estudos Interdisciplinares Africanos e da Diáspora (Ceiafrica). Coordenadora do "Mulheres Negras Resistem: processo formativo teórico-político para mulheres negras". Coordenadora do "Projeto de Pesquisa e Extensão: o apagamento do negro na terra do sol - rumos da educação e cultura afro-brasileira no Ceará." Doutora em Antropologia Social pela USP - Universidade de São Paulo (2012) ; Mestre em antropologia social - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2006); Bacharel em Ciências Sociais Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2004). Ex-Coordenadora pedagógica do Curso de Especialização (EAD) UNIAFRO- Promoção da Igualdade Racial no Ambiente Escolar (2014-2016). Ex-Conselheira Estadual de Promoção da Igualdade Racial (2016-2018). Ex-Coordenadora do curso de Bacharelado em Antropologia (2015-2017). . Ex-Bolsista do Programa Internacional de Bolsas de Pós-graduação da Fundação Ford (2007); Realizo pesquisas com ênfase em Antropologia das Populações Afro-Brasileiras, atuando principalmente nos seguintes temas: quilombos, políticas públicas, educação, racismo, relações etnicorraciais e feminismo negro.

Viviane Botton

Professora

É pesquisadora de pós-doutorado em filosofia na UERJ onde desenvolve uma pesquisa sobre o diagnóstico da Histeria no Brasil da perspectiva das relações entre loucura, mulheres e ciências médicas nacionais. Defendeu o doutorado na UNAM- Universidade Nacional Autónoma do México, no fina de 2015, tendo também realizado um intercâmbio com a Universidade ParisXII e Paris I por 1 ano. Neste trabalho estudou a questão do Corpo e da Subjetividade no pensamento de Michel Foucault e disso passou a dedicar-se aos estudos sobre gênero e poder, primeiramente pelas questões decorrentes da tese, mas também pela experiência e proximidade com as escritoras latino-americanas e em especial a mexicana e a chicana. Isto convergiu com a entrada ao grupo Anamorfoses de filosofia latinoamericana e decolonial que passou a integrar quando foi professora substituta na PUC-SP em 2016 e 2017. Viviane também é integrante do grupo de estudos Michel Foucault da PUC-SP; do laboratório "filosofias do tempo do agora" (UFRJ); e é uma das fundadoras e coordenadora do núcleo de estudos sobre histeria, (parceiro do PPGF/UFRJ) e que se associa a sua atual pesquisa.

MEDIAÇÃO

Rita de Cássia Fraga Machado

Coordenadora do Curso

É a idealizadora e coordenadora geral da Escola As Pensadoras. Professora de Filosofia na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), no campus Tefé, é vice-coordenadora do Programa de Pós Graduação em Educação da UEA. É pesquisadora associada ao GT Filosofia e Gênero da ANPOF (Associação Brasileira de Pós-Graduação em Filosofia), do qual é integrante do núcleo estruturante. Também é membro da Rede Brasileira de Mulheres Filósofas. Tem diversas produções nos Estudos Feministas, na Filosofia Feminista e Mulheres.